Deixar a casa no Algarve fechada no inverno: a lista de verificação da canalização

Se a sua casa no Algarve vai ficar fechada este inverno, o que importa na canalização não é a geada. É garantir que nada fica a correr durante três meses sem ninguém dar por isso: ler o contador, decidir se fecha a torneira de segurança, desligar o termoacumulador e o gás, e combinar com alguém para abrir todas as torneiras de duas em duas ou de três em três semanas.

No litoral, à volta de Tavira, os canos rebentados pelo gelo são raros. O que encontramos quando os proprietários voltam em março é mais discreto e mais caro: um autoclismo que esteve a encher o inverno inteiro, a mangueira da máquina de lavar que cedeu, um termoacumulador que aqueceu oitenta litros todos os dias para ninguém, ou uma casa que cheira a esgoto na primeira noite. Tudo isto se evita com uma hora de trabalho antes de fechar a porta.

Comece pelo contador, antes de fechar a porta

O contador da água é o detetor de fugas mais barato que tem. Na maior parte das casas da zona de Tavira está numa pequena caixa embutida no muro ou na fachada, com a torneira de segurança ao lado. A Tavira Verde, a empresa municipal da água, só o lê de tempos a tempos, por isso uma fuga numa casa fechada pode correr meses até aparecer na fatura.

O teste demora meia hora. Feche todas as torneiras, espere que os autoclismos acabem de encher e confirme que não há rega nem enchimento da piscina a funcionar. Depois olhe para o mostrador. A maioria dos contadores tem uma pequena roda ou estrela vermelha que roda com qualquer passagem de água. Se ela se mexe com tudo fechado, a água está a ir para algum lado.

Antes de sair, tire uma fotografia à leitura completa, com a data visível. Quando voltar, ou quando a pessoa que guarda as chaves lá for, uma segunda fotografia diz em dez segundos se alguma coisa correu enquanto a casa esteve fechada. E resolve qualquer conversa sobre uma fatura inesperada.

Se a roda se mexe e não percebe porquê, comece pelo óbvio: um autoclismo a pingar para a sanita, uma torneira do jardim a deitar, a válvula da piscina. Se estiver tudo seco, a água está a sair por um cano que não se vê, debaixo do chão ou dentro de uma parede, e é esse o momento de fazer uma deteção de fugas a sério, em vez de fechar a casa e esperar pelo melhor.

Deve fechar a água na torneira de segurança?

Na maior parte das casas fechadas, sim. Com a torneira de segurança fechada, uma mangueira que rebenta ou uma junta que abre só deita a água que já está nos canos, que são uns litros e não uns milhares. Há exceções, e dependem do que mais na casa precisa de água enquanto está fora.

Se não tem a certeza do que alimenta o quê, siga o cano a partir da caixa do contador. Em casas mais antigas de Santa Luzia e de Cabanas, a água do jardim às vezes sai antes da torneira de segurança, e fechar a principal deixa as torneiras de fora com água.

Termoacumulador e esquentador: desligar, fechar o gás e preparar o regresso

O termoacumulador mantém o depósito quente haja ou não alguém em casa. Ligado durante um inverno numa casa vazia, aquece oitenta ou cem litros todos os dias para ninguém. Desligue o disjuntor dele no quadro elétrico e ponha uma etiqueta, para quem voltar saber qual é.

O esquentador a gás não gasta nada parado, mas o gás deve ficar fechado na mesma. Se a casa funciona com garrafa de butano ou propano, feche a válvula em cima da garrafa e deixe o redutor no sítio. Se tem gás canalizado, feche a torneira de corte antes do contador do gás.

O regresso conta tanto como o fecho. Água parada semanas num depósito morno é onde cresce a legionela. No dia em que voltar, ponha o termoacumulador a pelo menos 60 °C durante um ciclo completo e depois deixe correr cada torneira de água quente uns minutos antes de alguém tomar banho. Com esquentador, faça o mesmo depois de abrir o gás.

Um pormenor que apanha muita gente: a hora muda para o horário de inverno a 25 de outubro de 2026 e volta ao de verão a 28 de março de 2027. Um termoacumulador com relógio mecânico não acompanha nenhuma das mudanças se ninguém lhe mexer. Numa casa vazia ninguém dá por isso, e na primavera toda a gente dá, no primeiro banho frio.

Esgotos, autoclismos e máquinas

Cada lava-loiça, base de duche e ralo tem um sifão que guarda um pouco de água como barreira contra o cheiro do esgoto. Numa casa fechada essa água evapora, a barreira desaparece e a casa cheira a esgoto quando se abre a porta. Não é avaria. Basta que quem lá vai deixe correr água em todos os ralos em cada visita.

Os autoclismos merecem um minuto cada antes de sair. Um autoclismo cuja boia nunca fecha bem manda um fio de água para a sanita dia e noite, e é a água a correr que mais encontramos nas casas que ficaram com a água aberta. Levante a tampa, puxe e escute. Se um minuto depois ainda estiver a assobiar, mande arranjar antes do inverno e não depois.

As máquinas de lavar a roupa e a loiça têm cada uma uma pequena torneira de passagem atrás. Feche as duas. As mangueiras estão sempre em pressão, e uma mangueira que rebenta numa casa vazia é a causa clássica de um chão estragado. Deixe a porta da máquina e a gaveta do detergente abertas, para a borracha não ganhar bolor.

No exterior: torneiras do jardim, rega e fossa séptica

Desligue o programador de rega e tire-lhe as pilhas, se as tiver, para não voltar a arrancar depois de um corte de luz. Feche as torneiras do jardim e esvazie as mangueiras. Se a piscina tem enchimento automático, feche também essa entrada, porque uma válvula que fica presa enche-a o inverno todo sem barulho e o excesso vai direto para o esgoto.

Se a casa tem fossa séptica em vez de rede de esgotos, o outono é a altura certa para a mandar ver e esvaziar, se estiver na hora. Nas zonas mais baixas do campo o terreno fica encharcado com as primeiras chuvadas, e uma fossa cheia em terreno encharcado é um problema que fica à sua espera. Explicamos tudo sobre o assunto no guia das fossas sépticas no Algarve.

Os canos congelam no Algarve?

No litoral, quase nunca. Noites abaixo de zero em Tavira, Cabanas ou Santa Luzia são raras e curtas, e os canos dentro de casa não congelam nesse tempo. Esvaziar a instalação toda, ali, dá mais problemas do que evita, porque as vedações secam e no regresso aparecem bolsas de ar.

No interior é diferente. Na serra, à volta de Cachopo, a geada faz parte do inverno, e os canos em paredes exteriores, os depósitos no telhado e tudo o que está num anexo sem aquecimento correm risco a sério. Numa casa lá em cima faz sentido esvaziar a instalação, mas isso inclui o termoacumulador e o sistema solar, por isso vale a pena pedir a um canalizador que o faça uma vez e lhe mostre como.

Uma rotina de visitas que apanha mesmo os problemas

A rotina não tem de ser complicada. De duas em duas ou de três em três semanas, alguém abre a torneira de segurança, deixa correr cada torneira e chuveiro um minuto, puxa cada autoclismo, compara o contador com a sua fotografia, olha para os tetos por baixo dos terraços depois de chover com força, volta a fechar a água e manda-lhe fotografias. São vinte minutos, e três meses sem saber nada passam a ser umas semanas de cada vez.

Veja também o seguro multirriscos. Muitas apólices limitam a cobertura de danos por água quando a casa fica desabitada durante um certo número de dias seguidos, e as visitas regulares são muitas vezes o que mantém essa cobertura. As condições variam, por isso leia as suas em vez de partir do princípio.

Se não tem ninguém cá, a nossa canalização para alojamento local e casas de férias trabalha com proprietários que vivem fora e com quem já guarda as chaves, e cada visita leva fotografias e fatura com NIF. Nos nossos preços publicados para 2026, uma deslocação normal fica entre 60 e 95 euros, menos do que um teto manchado. É um valor indicativo. O preço exato depende sobretudo da distância até à casa e do trabalho a fazer, por isso contacte-nos antes da visita para ter um valor certo.

Quando o problema não é de canalização

Nem tudo o que aparece em março é trabalho para nós. Pontos negros nas paredes e cheiro a mofo numa casa fechada são quase sempre condensação, não uma fuga, porque dias amenos e noites frias numa casa sem ventilação não têm para onde mandar a humidade. Isso é uma questão de ventilação e de reparações, e explicamos tudo em porque é que a sua casa no Algarve cria bolor no inverno. Uma mancha que aparece por baixo de um terraço depois da chuva é normalmente impermeabilização, não canos, e quem resolve é um empreiteiro.

A lista completa numa só tabela

Perguntas frequentes

Devo fechar a água quando deixo a casa em Portugal durante o inverno?

Sim, na maior parte dos casos. Com a torneira de segurança fechada, qualquer fuga fica limitada à água que já está nos canos. As exceções são as casas com painéis solares térmicos que precisam da rede, em que deve perguntar ao instalador, e as casas em que alguém abre a água em cada visita.

Devo deixar o termoacumulador ligado com a casa vazia?

Não. Desligue o disjuntor e ponha-lhe uma etiqueta. No regresso, aqueça a pelo menos 60 °C durante um ciclo completo e deixe correr todas as torneiras de água quente uns minutos antes de usar o chuveiro.

Tenho de esvaziar os canos para o inverno no Algarve?

No litoral, não. A geada em Tavira é rara e curta, e esvaziar a instalação traz problemas próprios. No interior, na serra à volta de Cachopo, compensa fazê-lo, de preferência com um canalizador da primeira vez.

Como sei se correu água enquanto estive fora?

Fotografe a leitura do contador antes de sair e outra vez quando voltar. Se os números mudaram e ninguém gastou água, houve uma fuga, e o teste do contador com tudo fechado diz-lhe se ainda está a correr.

A casa cheira a esgoto quando chego. Há alguma coisa avariada?

Normalmente não. A água dos sifões que não se usaram evapora com a casa fechada. Deixe correr um minuto todas as torneiras, chuveiros e ralos, puxe os autoclismos, e o cheiro costuma desaparecer num dia.

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